Hoje me fiz uma promessa: nunca mais deixar os textos deste blog
atrasar. Faz bem dois meses e meio que terminei de ler a biografia do Eisner e,
agora, depois de já ter lido alguns outros livros, toda a emoção e o calor da
hora “meio” que passou. Chato, porque essa foi a melhor biografia que já li até
hoje.
Primeiramente odeio biografia que começam à lá David Copperfilds – “no dia tal,
fulano de tal, nasceu” – bem pior é quando se resolve contar como os pais do
biografado se conheceram e depois o conceberam. Também odeio biografias que
seguem fixamente a cronologia da vida do dito cujo. É chato para burro ter que
passar pelo casamento dos pais e tempos de colégio. Parei a biografia da
Clarice, da Nádia Cotlib, porque a coisa de 650 páginas simplesmente não fluía.
Mas nada disso ocorre no texto de Schumacher. É a biografia
perfeita, ao menos para mim. Claro que ele começa com a infância de Eisner, mas
tudo é muito bem colocado dentro da trajetória artística e do crescimento
intelectual do homem. Nada é desimportante ou irrelevante, e eu, que nem sabia
quem ele era, saí daquele texto não apenas conhecendo a vida de Will e o que
ele produziu, mas o contexto histórico e o impacto que cada obra sua gerava na
indústria de quadrinhos. Também consegui visualizar muitas teias de relações entre
quadrinistas e onde eles estão na história do quadrinho – e agora posso
escolher, com muita sabedoria, o que
quero ler. Para uma leiga total no assunto, o saldo foi mais que positivo, foi
assustadoramente iluminador.
Sem falar que Will Eisner é uma inspiração de ser humano. Trabalhou
incansavelmente até semanas antes de falecer. Possuía um tino empresarial que o
salvou numa época onde os contratos feitos entre editoras e quadrinistas era
desigual e opressor. Possuía os olhos no futuro dos quadrinhos de uma maneira
quase profética. E o que ele faz com “Um contrato com Deus”, a primeira graphic novel, é algo que me arrepia até
agora. Ele simplesmente sabia que os quadrinhos eram, tinham potencial para e
viriam a ser considerados literatura, alta
literatura. E ele foi lá e mostrou do que estava falando. Foi um homem
visionário, mas mais que isso, era pragmático, soube entender o mercado e soube
levar esse mercado para onde ele acreditava que deveria ir.
Apenas incrível, sem mais.
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