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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Laços, Vitor e Lu Cafaggi



Faz tempo que li Laços, a super comentada HQ dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi inspirada nos personagens do Mauricio de Souza. Mas como estava com problemas na “embaixada” (piada interna), esqueci e protelei a publicação desse texto.

Não sei se quem leu sentiu isso, mas essa HQ abalou mesmo meu emocional (meu emocional de “20 e tantos anos”, que via a Xuxa sair da nave e que assistia Jaspion depois do colégio). Eu cresci lendo Turma da Mônica e quando vi todos ali, sei lá, foi como encontrar com alguém que trouxesse noticias de amigos queridos que eu nunca mais vi. E olha que de vez em quando ainda leio as revistinhas. Mas o traço dos irmãos Cafaggi e o roteiro da história são cheios de elementos que de alguma forma estranha falam do passado, da infância, de ser criança num mundo de adultos, de ter amigos, e de não pensar que um dia isso vai passar. É como se o texto, as cores, o traço, tudo fosse feito com muito amor, mas com muita saudade desse tempo. É realmente uma volta ao passado, um reencontro consigo mesmo. 


E a história é simples, o floquinho sumiu e a turminha se reúne para procurá-lo. Mas fiquei com a sensação de que a questão não é essa. A história se constrói dentro de você, é você que ata os “laços” com aqueles personagens e com aquele universo. É você o quinto elemento, que vai para a floresta, que vê o Cebolinha correr da Mônica, que vê o Cascão fugir da água, e é você que sorri quando reconhece alguma coisa. Alguma coisa do passado e da infância, da deles e da sua.

E como não sorrir ao ver o pôster da Mônica no clube do Cebolinha; Seu Juca, o vendedor de hot dog; ou o Japonês que vende pastel? Ou não achar genial a explicação que eles dão sobre os personagens não usarem sapatos? Ou porque o floquinho se chama assim?

Tudo é feito para fazer você lembrar o tempo em que lia as revistas e do tempo em que era criança, e funciona muito bem. Nada é demais, nada está fora do tom.

Diogo Braga, do MRG, definiu bem essa HQ: “Só pode ser algo feito por E.Ts” (!)

Recomendo comprar a capa dura e ler tomando um acolhedor chocolate quente.