E lá vou eu falar da HQ mais comentada do momento. Me
tranquei na geladeira para não ver o filme antes que minha edição chegasse,
fugi de algumas críticas e acho que posso dizer que cheguei a ela livre do
monstro da expectativa.
Enquanto capturava algumas informações na internet sobre a
autora fiquei bem chocada e envergonhada quando descobri que ela publicou a graphic novel com 26 anos, que aos 19 já
estava escrevendo e que ela nasceu em 1985 (como se não bastasse sou um ano
mais velha e ainda não fiz nada de muito relevante nessa vida).
Achei bem digno ela agora, aos 28 anos (vou parar de falar
de idade, prometo), vir a público dizer que vê todos os defeitos na obra,
embora eu não veja nada disso e tenha ficado com aqueles traços bailando pela
minha mente por dias.
E gostei muito dos traços, das cores e da técnica de colorir
(seja qual for). São elementos que se completam e compõem uma melodia triste
que realmente remete à memória e a algo que já não existe mais.
Isso porque a HQ conta a vida de Clementine, sua
adolescência e descoberta sexual, suas escolhas e amadurecimento, mas chegamos
à Clementine através dos diários que ela deixou para Emma ler. Então sim, é
através da dor e da lembrança de Emma que conhecemos a história das duas, e a
HQ inteira é pintada com cores frias e quando o azul aparece é bonito, poético,
mas triste ainda assim.
Julie Maroh é ativista pelos direitos dos homossexuais, mas
eu só sei disso porque li no site da editora Martins Fontes, porque a história
que ela conta é a de uma garota que está descobrindo quem é. Que sofre muito
por suas opções homossexuais, sim. E esse é o tema da HQ, sim também. Mas aqui
temos a história da vida de uma personagem, com todo o conflito, erros,
acertos, dramas e alegrias que lhe cabem enquanto ficção e que representam bem
o drama humano de existir em um mundo cheio de gente.
E só para que esse texto não fique muito parcial, digo que
não gostei muito do nariz da Clémentine. Achei meio feio e batatudo, assim,
meio parecido com o meu.
“Por que eu teria vergonha de amar?”
<3
