terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mudança, Mo Yan



Mudança é basicamente a história da vida de Mo Yan, sua infância, a juventude no exército e a descoberta da escrita. Mas também é sobre He Zhiwu, um garoto grande e alto que aparentava ter uns 25 anos (mas tinha menos), e Lu Wenli a garota que sentava a seu lado, filha do homem que dirigia um caminhão Gaz 51 importado da União Soviética que habitou os sonhos dos dois garotos e se faz presente durante toda a narrativa.

É uma história que se quer simples, apenas uma pequena narração sobre algumas vidas que viveram na China comunista dos últimos trinta anos – mas, se a beleza mora na simplicidade, é na simplicidade da história de Mo Yan que se encontra parte da história de seu país.

Mas a escolha de 2012, da Academia Sueca provocou polêmica e declarações de artistas chineses bastante contrários e céticos em relação a postura política de Mo Yan. É difícil dizer e julgar qualquer coisa daqui, da minha confortável democracia, sobre o viver e o sobreviver em regimes ditatoriais. Mas penso que a polêmica em torno do Nobel do autor, joga luz sobre o que é Mudança.

O livro não é uma apologia a nada, é mais um caleidoscópio em tons de cinza acerca da vida na China comunista. Segundo Mo Yan, no prólogo do próprio livro, Mudança foi fruto do convite de um editor de Calcutá, feito em 2005, para que escrevesse sobre as “grandes transformações” ocorridas na China nas últimas três décadas. Mas, se existem “grandes transformações” no livro, elas estão desenhadas no que ocorreu com aquelas pessoas durante esse tempo, é a China através da vida de pessoas que viveram a China. 

Seria um livro de memórias, mas todos nós já estamos escolados demais nesse assunto, e o próprio autor pontua no decorrer de suas 125 páginas que, se houver algum desacordo com os fatos, a culpa só pode ser da memória – que está cheia de lembranças embaralhadas.  

Me imagine piscando e sorrindo para você e é assim que encerro esse texto ;)


13 comentários:

  1. Maira, quero muito ler esse livro, pensei em comprá-lo mas acabei conseguindo em e-book mesmo lá no grupo, me parece ser do tipo que eu gostaria muito. Você falou sobre simplicidade, acho que essa palavra me chama, rs. Beijinho!

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    1. Pois é Lua, minha versão também é em e-book, mas é Cosac, né? O livro físico é lindinho <3
      Espero que você goste, depois me conta.

      beijo grande,

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  2. Acho que não há forma melhor de conhecer as mudanças de um povo do que observar as pequenas coisas, as pessoas comuns. Vai ser subjetivo? Claro! Mas é aí que mora a beleza. Mais um livro que me interessa.
    beijo

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    1. É, Michelle, acho que é isso, sim. E essas "pequenas coisas" muitas vezes são difíceis de alcançar na escrita. Nesse ponto acho que Mo Yan consegue bem.

      beijo grande,

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  3. Olá, Maira! Como vai?
    Estava com muitos pés atrás (tipo centopéia) com este livro, mas agora me animei bastante. As críticas realmente tinham me deixando bastante hesitante, além de eu normalmente não dar bola para prêmios literários... Mas você me animou! Essa maneira de lidar com a memória é muito interessante e me agrada demais (Kazuo Ishiguro virou um autor querido por causa disso!). Estou com o ebook para o Kindle, entao esse vai para a lista! =)

    Olivia

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    1. Então Olívia, as críticas me afastaram do livro por um tempo também, mas aproveitei a vibe da maratona (livros curtos, hi hi) e resolvi apostar. Não me arrependi :D

      bjs!

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  4. Procurei esse livro na sexta na livraria mas não tinha. Agora olhei essa resenha e só posso dizer que quero muito, muito ler esse livro!!!! Essa tua forma de falar deu ainda mais vontade em lê-lo! beijoca

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    1. Raquel, sua linda, depois de ler me conta o que achou! <3

      beijo grande,

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  5. Eba, adorei a indicação, fiquei bem interessada!

    obrigada por compartilhar ;)

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  6. Excelente resenha, Maira, simples e instigante.

    Autores orientais me interessam muito, ainda mais se as obras têm tendências (ou cernes, digamos) autobiográficas.

    Ando apaixonada pelo Gen do Keiji Nakazawa há tempos, acho que é amor epifânico e eterno. rs

    Grande abraço. :)

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    1. Jéssicaaa! Eu quero ler GEN, "tipo": muito!

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  7. Ah eu sabia que tinha visto uma resenha desse livro, só não lembrava onde !!! Culpa da Maira que esse livro está na minha fila de leitura.
    Estou super empolgada em começar a ler obras de escritores orientais!
    Agora não sei se começo por Murakami ou por este aqui.
    bjos

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    1. Ahaha! Melissa, também preciso ler Murakami, minha promessa é que desse ano não passa ;)

      beijo grande,

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